sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Novos Horizontes...

Quem acessa o blog sabe que eu tenho um grande amor pelo Ballet Clássico! As músicas, as histórias, os figurinos, tudo me encanta... Porém no último fim de semana eu fui assistir a uma apresentação completamente diferente. Lembram-se que eu contei a vocês sobre a minha última visita à São Paulo Companhia de Dança para conferir o ensaio de uma obra inédita? Pois é, ela estreou na semana passada, ficou em cartaz no Teatro Sérgio Cardoso de 05/12 à 08/12, e eu fui lá para conferir a 2ª Edição do Ateliê de Coreógrafos Brasileiros.
Como em toda temporada, há um espaço onde os bailarinos tiram fotos com o público, e na semana do Ateliê não seria diferente... Porém dessa vez ao invés de tutus e sapatilhas de ponta, os bailarinos estavam com figurinos contemporâneos. Os que eu bati foto estavam vestidos de Azougue, Pormenores e Vadiando, que foi a estreia da noite.

Logo em seguida, fomos para o 3º andar, onde estava acontecendo o bate-papo com Inês Bogéa sobre as obras que iriamos ver naquele programa. Eu sempre achei difícil entender a Dança Contemporânea, muitas vezes quando assisto apresentações desse tipo eu fico perdida. Mas talvez seja porque eu não tinha conhecimento suficiente, e mesmo não tendo pego a explanação desde o começo, eu consegui ter um outro olhar sobre essa dança.
"Por Dentro do Espetáculo", com Inês Bogéa

Uma das coisas que a Inês falou foi sobre o fato de algumas músicas terem sido inseridas depois que a coreografia estava pronta. Foi o caso de Pormenores, de Alex Neoral. É uma obra interpretada por duos, um trabalho intimista que valoriza a proximidade dos bailarinos. A música de Bach, que foi escolhida quando a coreografia já estava praticamente pronta, é interpretada pela violinista Soraya Landim. Que lindo assistir um espetáculo com música ao vivo! Mas o mais impressionante é que, mesmo que a música não tenha sido a base para a coreografia, uma se encaixou com a outra perfeitamente! É isso o que me atrai, faz a apresentação fluir juntamente com o entendimento do que está sendo apresentado.

A segunda obra foi Azougue, de Rui Moreira. Essa tem relação com o maracatu rural e a tradição nordestina. Os homens dançam de saia ao som de uma música forte, com muitos tambores, e que foi criada pelo próprio coreógrafo, em parceria com Lobi Traoré. Além desse aspecto, outro sentido utilizado por Rui para a concepção de Azougue foi a da pessoa que está inquieta, que não se deixa abater, que tem uma vibração acima do normal. Acredito que esse significado explica as projeções que são feitas ao longo do espetáculo, que mostram as pulsações internas do corpo humano. É uma obra forte, muito vibrante.
Cena de Azougue
Crédito: Arnaldo J.G. Torres


A terceira obra foi Mamihlapinatapai. Apesar de parecer um trava-língua, o nome tem origem indígena e significa "Um olhar compartilhado por duas pessoas, cada uma desejando que a outra tome uma iniciativa para que algo aconteça, porém, nenhuma delas age". A autoria é de Jomar Mesquita, com colaboração de Rodrigo de Castro. Ao som de músicas portenhas, o coreógrafo explora a relação à dois, os desejos entre homem e mulher que muitas vezes não se concretizam. No meio desse jogo, os bailarinos brincam com os figurinos das parceiras: ora se desabotoa um botão, ora se abaixa uma alça do vestido... Jomar inseriu na peça movimentos desconstruídos da Dança de Salão, para criar essa intimidade entre os bailarinos, dando um toque de charme.

Após as três apresentações houve um pequeno intervalo, pois o Grand Finale estava por vir: a estreia de Vadiando, de Ana Vitória Freire. Lembro que quando eu fui assistir ao ensaio da obra, ela ainda não estava terminada, e foi um privilégio poder vê-la na cena. Ao fundo, recortes do filme que inspirou Ana para a criação da coreografia, e no centro o bailarino girando com uma saia vermelha, representando o orixá Exú, que segundo a tradição do Candomblé, abre os caminhos para que as coisas possam acontecer... As roupas dos demais bailarinos lembram a dos capoeiristas, e cada um fez amarrações no corpo à sua maneira. Segundo a coreógrafa, ela queria que os bailarinos se apropriassem daquele figurino, dando o seu toque pessoal a ele. Ao longo do espetáculo vemos as várias vertentes da capoeira: primeiro com movimentos leves no centro de uma roda, como se fosse realmente uma dança, e mais adiante, eles começam a jogar mesmo uns com os outros, no sentido de luta. E pra manter o clima da capoeira, na saída da sala e em todo o teatro havia uma grande festa de berimbaus!!! Foi uma noite maravilhosa, onde eu pude contemplar novos horizontes dessa arte chamada Dança. Acho que o contemporâneo está ganhando meu coração... Culpa da SPCD! kkkkkkk

Foi uma Temporada maravilhosa, e podem ter certeza que estarei presentes nas próximas para contemplar os espetáculos da São Paulo Companhia de Dança!

Um grande beijo!

Um comentário:

  1. A beleza tem muitas faces e ficar admirando somente uma parece ser uma postura um pouco narcisista. A Darcey Bussell tambem respirou novos ares e o resultado foi o "BBC-Darcey Bussell Dances Hollywood 2011". O resultado é só satisfatório, mostrando as dificuldades da excepcional bailarina classica experimentando, com muita coragem, coisas novas.Nesse video quem brilha e Fred e Ginger.

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