Ballet "O Lago dos Cisnes"

Aproveitando que estou inspirada, eis que chego para compartilhar com vcs mais um maravilhoso ballet, contribuição Maurice Lugher. O título dessa semana é o mais popular de todos: O Lago dos Cisnes, que foi exibido no cinema em outubro do ano passado. Os intérpretes principais são Zenaida Yanowsky e Nehemiah Kish, dois bailarinos que não costumamos ver como personagens principais na maioria dos DVDs lançados pela companhia, e aqui nós temos essa oportunidade!
Aproveitando o ensejo que o título de hoje é "O Lago dos Cisnes", gostaria de lançar a minha opinião sobre todas as versões postadas no blog. Cada uma tem as suas particularidades, e é isso o que torna cada montagem encantadora!

Ópera de Viena, 1966: A mais antiga existente aqui no blog atualmente, e com certeza uma das mais bonitas! O que me chama a atenção nessa produção são as coreografias de Rudolf Nureyev, que se utilizou de músicas não presentes na versão clássica de Petipa e Ivanov para inovar: um pas de cinque no primeiro ato, substituindo o tradicional pas de trois, o pas de deux do Cisne Branco onde ele usa a versão original da música de Tchaikovsky, com um final alegre onde foi montada uma variação para o Siegfried, e o pas de deux do Cisne Negro, onde ele utiliza o adágio do número original criado para o 3º ato, e que é mais conhecido como "Tchaikovsky Pas de Deux".

The Kirov Ballet, 1968: Foi a primeira versão da obra que assisti, através de uma VHS encontrada em uma biblioteca para empréstimo. No início achei uma versão muito curta, e que faltava várias danças, mas depois entendi que se tratava de uma montagem suíte, que tem o tempo original reduzido para cerca de uma hora e meia. Os destaques dessa montagem são a variação do príncipe no primeiro ato, a variação de Rothbart antes do pas de deux do 3º ato e uso das músicas originais de Tchaikovsky no último ato, coisa que não acontece nas produções atuais do Kirov/Mariinsky.

The Royal Ballet, 1980: É uma produção que segue bem os moldes da versão de Petipa/Ivanov, porém com algumas novidades no 3º ato: um pas de quatre como divertssiment e a apresentação de todas as danças folclóricas antes da entrada de Von Rothbart e Odila ao palácio. No último ato também é usada a sequência original composta por Tchaikovsky.

The Kirov Ballet, 1986: Nesta versão nós já podemos observar melhor a montagem de Petipa e Ivanov em ação, juntamente com as adições musicais feitas pelo Riccardo Drigo no último ato, substituindo duas composições originais de Tchaikovsky. Uma coisa que a maioria das pessoas desconhece é o fato da versão mais conhecida da variação da Odila também ter sido composta pelo Drigo, e não pelo Tchaikovsky como muitos atribuem.

The Kirov Ballet, 1990: Versão produzida por Petipa, Ivanov e Drigo, a mesma apresentada em 1986, só que numa gravação sem plateia. Adoro a interpretação da Yulia Makhalina e do Igor Zelensky, assim também como da Larissa Lezhnina que dança o pas de trois.

Ópera de Paris, 1992: Aqui é apresentada a versão coreográfica de Vladimir Burmeister, que foi mais tarde remontada pelo Teatro Scala. Acredito que o grande destaque dessa montagem são os figurinos bem extravagantes. No 3º ato as roupas das danças folclóricas me lembram um baile a fantasia, ou até mesmo um desfile de Carnaval devido ao colorido dos figurinos!!!

Ópera de Berlim, 1998: Essa montagem, coreografada por Patrice Bart, é super diferente! A começar pela Rainha, que ao contrário das montagens mais tradicionais, tem uma presença maior na peça dançando na ponta. Os figurinos são lindos, e o final também é diferente: apenas o príncipe morre, assim como na montagem da Ópera de Viena.

The Royal Swedish Ballet, 2002: Peter Wright é um gênio na remontagem de ballets, conseguindo transportar histórias tradicionais para diversos períodos. Em sua versão, "O Lago dos Cisnes" se passa no período gótico, por isso os cenários e figurinos são bastante escuros, e o uso do metalizado fosco foi bastante explorado. Outra diferença está no número de princesas pretendentes, que aqui foi reduzido para três. Aliás, a apresentação delas é um show a parte...

Teatro Alla Scala, 2004: Como mencionado, aqui também é utilizada a versão de Vladimir Burmeister, que assim como na versão de Petipa/Ivanov também termina com um final feliz. A estrutura musical original foi bem trabalhada, e nessa (assim como na Ópera de Paris, 1992) o tradicional pas de deux do Cisne Negro de Petipa é apresentado em sua posição original no primeiro ato, sendo dançado pelo príncipe e por uma princesa da corte. No 3º ato é utilizado o adágio e a variação masculina originais (Thaikovsky Pas de Deux). Os figurinos são mais suaves em relação aos de 1992, e nos remete a um verdadeiro conto de fadas.

American Ballet Theatre, 2005: Com produção de Kevin McKenzie, aqui também há uma inovação coreográfica tanto no primeiro como no terceiro ato. A cenografia é muito bonita, e além da presença de um bailarino brasileiro nesta montagem (Marcelo Gomes como Von Rothbart), o final segue a história original, com a morte dos protagonistas.

Ópera de Paris, 2005: A versão de Nureyev, apresentada na Ópera de Viena em 1966, foi totalmente reconstruída para a Ópera de Paris em 1984, e desde então essa nova montagem é encenada. Além de inserir a cena do prólogo, onde o príncipe sonha com uma jovem sendo enfeitiçada na forma de um cisne, essa versão tem coreografias diferenciadas da anterior, se aproximando mais da estrutura de Petipa e Ivanov. Somente algumas são iguais a de 1966, como a Valsa das Princesas no 3º ato e de algumas sequências do último ato (entre outras). A única coisa que não fiquei entendendo nessa montagem é se o Siegfried morre ou não...

St. Petersburg Ballet, 2006: Segue a mesma linha da montagem de Petipa e Ivanov com música restaurada por Riccardo Drigo. O que chama a atenção nessa versão é a interpretação da Irina Kolesnikova como Odette/Odila. Gosto de bailarinas que dão impacto quando dançam o Cisne Negro, e a Irina é uma delas...

Mariinsky Ballet, 2006: Todo mundo fica confuso quando uma companhia muda de nome, por isso eu sempre deixo claro que Mariinsky e Kirov são a mesma coisa! A montagem dessa versão segue a linha da versão de Petipa/Ivanov/Drigo como as versões anteriores, porém o cenário do 3º ato passou por mudanças. Está até mais bonito... E outra coisa que chama a atenção é como as câmeras registraram essa performance. Simplesmente divina!

The Royal Ballet, 2009: Utiliza a estrutura original de Petipa/Ivanov/Drigo, inclusive na ordem das danças do primeiro ato: o pas de trois é apresentado antes da valsa e não depois. Outra inovação foi a presença de crianças no corpo de baile do segundo ato, além do uso de tutus românticos... Acredito que apesar de estranharmos de início, eles fazem uma bela homenagem ao Romantismo, afinal o segundo e quarto atos e o enredo propriamente dito - uma história de amor permeada por uma traição - fazem jus a esse período.

The Bolshoi Ballet, 2011: O estilo do Yuri Grigorovich, coreógrafo do Bolshoi, é muito característico. Ele criou suas próprias versões de grandes clássicos do ballet, inserindo uma personalidade alegre, meio "festeira". Na estrutura tem coreografias bem diferenciadas, e a inclusão de músicas pouco usuais na maior parte das versões, como é o caso da Dança Russa no 3º ato, representando uma das princesas pretendentes de Siegfried.

Guangdong Acrobatic Troupe of China: Com certeza absoluta é a mais diferente de todas, pois mistura ballet e circo com perfeição!!! A única coisa que não gostei foi da edição do DVD, que como já comentei na postagem dessa versão, deixou muito a desejar... (infelizmente!)

Depois desse release, vamos a versão de hoje:
O Lago dos Cisnes
Companhia: The Royal Ballet
Ano: 2012
Bailarinos Principais:
Zenaida Yanowsky como Odette/Odile
Nehemiah Kish como Príncipe Siegfried
Links:
https://1drv.ms/f/s!Ar6VXXHgq-SqqSL8kjGUnU7rAqY9

Formato do Vídeo: DVD

Aplicativos Úteis: Clique Aqui!

É isso aí pessoal... até a próxima!!!

Comentários

  1. Vi as versões Mariinsky 1990 com Yulia Makhalina, a de 2006 com Uliana Lopatkina e a do Royal Ballet de Marianela Nunez 2009. Acho que a versão de 2006 é a melhor. Acho a Uliana uma grande intérprete, é uma atriz além de excepcional bailarina e sobra carisma. Além disso, como você disse, a filmagem é fantástica, realçando o talento dos bailarinos e da coreografia. Será que existe uma versão melhor que esta, eu duvido. Mas é só a opinião de um curioso recente no assunto.

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    1. Isso é pq vc viu só 3 versões... E essas montagens seguem mais ou menos o mesmo linha. Veja outras e depois passe aqui para comentar. Tenho certeza que você vai se surpreender!

      Obrigada pela visita!

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  2. Julimel, eu tenho outras versões do Swan Lake. (Bolshoi, Royal Danish Ballet...)
    Se quiserem acrescentar o acervo do blog, por favor, contate-me: luan.andrade.new@gmail.com

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  3. Olá Julimel, tudo bem? Só queria avisar que o link que está aqui no post é o do Quebra-Nozes e não do Lago dos Cisnes. :* beijo

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    1. Obrigada por me avisar! Já troquei o link!!

      Beijos

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