quarta-feira, 25 de julho de 2012

Meu Primeiro Solo de Repertório

Como todo mundo aqui sabe, eu gosto de postar em meu blog alguns fatos marcantes da minha trajetória no ballet. Já faz 1 ano e meio que faço aulas, e nesse tempo eu compartilhei com vcs vários momentos dessa história: minha primeira aula de ballet, meu primeiro papel numa peça de repertório (que foi a Dança Russa do Quebra-Nozes, lembram?), o dia da minha primeira apresentação, e numa das atualizações das últimas semanas eu publiquei o vídeo da minha primeira coreografia e comentei sobre o começo da minha caminhada pelas pontas, além de comentar também sobre minha primeira participação na Mostra Interna do Studio Dança Tamara Lisa. Quem ainda não leu, pode ver AQUI!
E hj venho compartilhar com vcs o meu primeiro solo de repertório... Vcs entenderam certo! Vou explicar:
Essa é a última semana de férias do Studio Dança, e estão ocorrendo algumas oficinas desde segunda-feira, em diversas modalidades. São duas por dia até sábado, e a primeira de hoje foi de Repertório, ministrada pela Lidiane Mendes (nossa eterna Fada do Açúcar!!!!).
Quando a gente pensa em Repertório, logo vem na nossa mente a imagem de uma prima ballerina, que faz uma apresentação profissional e que é "perfeita". Esse perfeita é entre aspas mesmo, pq até uma profissional pode errar, tanto quanto uma bailarina iniciante (claro, cada qual no seu patamar, mas erro é erro né?). Coincidentemente isso foi comentado hoje pela Cássia Pires em seu blog, o Dos Passos da Bailarina, sobre a coragem de uma bailarina, "a coragem de ser imperfeita", ou simplesmente como diria a minha profª Carol Jones, a coragem de "errar com dignidade".
Há um documentário sobre Margot Fonteyn que costuma passar na TV à  cabo, acredito que seja no GNT. Eu nunca consegui ver ele inteiro, mas lembro que a primeira vez que eu peguei ele, eu vi uma cena onde a Margot fazia uma aula de ballet com o Nureyev e o prof deles falou assim: "O Ballet exige a perfeição, mas perfeição é algo que não existe". A imagem que nós temos de uma bailarina é de que ela é perfeita em tudo, e quando se fala em solo de repertório, essa tese acaba ganhando mais força ainda, pois existe o mito de que só uma bailarina profissional, perfeita, pode dançar um solo assim.
Mas como já falei, uma profissional também comete erros em cena, tal como Sylve Guillem, que durante uma apresentação da Bela Adormecida escorregou enquanto fazia a entrada de Aurora no primeiro ato, assim também como Natalia Osipova em Coppélia, onde ao dançar fingindo que a boneca do Dr. Coppélius  ganhou vida ela quase cai de cima das pontas.
Mas hoje eu pude ver com meus próprios olhos e sentir na pele que é possível sim dançar uma variação de repertório sendo uma iniciante nas pontas. Eu estava insegura sobre fazer a aula de hoje na ponta, mas uma amiga que participou da Dança Russa comigo e está no mesmo nível que eu me encorajou e lá fui eu calça-las. Eu estava amarrando o pé direito quando a Lidi começou a se apresentar e falar sobre o que aprenderíamos, que foi a variação feminina de "O Corsário".

Variação Feminina de "O Corsário"
Obs: apesar de ser apresentada como "O Corsário", essa música na realidade pertence ao repertório Paquita, sendo dançada originalmente como Variação Masculina. 
Há músicas de outros repertórios que também costumam ser dançadas dentro desse pas de deux como variação feminina, como é o caso da Variação da Rainha das Dríades (de Don Quixote) e da Variação de Gamzatti (de La Bayadère).

A base da coreografia que aprendemos é mais ou menos como no vídeo acima, porém com algumas mudanças, sem developês altíssimos depois dos chaines, fouettés e arabesque no final. Mas antes de passarmos a coreografia propriamente dita, a Lidi pediu que euzinha aqui contasse um pouco sobre a história do ballet. Como falei eu tava amarrando minha sapatilha nessa hr, e confesso que eu me senti lisonjeada. Acabei dando uma aula sobre a peça, tentei contar de forma resumida sobre ela e foi muito gratificante, pois eu fui para aprender algo novo e acabei ensinando também, compartilhando com todos que estavam ali um pouco do que pesquiso com tanto carinho a respeito da dança e da história dos ballets. Foi uma troca maravilhosa!
Em seguida, nos aquecemos, fizemos aquela sequência de barra pra fortalecer pés, tornozelos e panturrilhas, e enfim a Lidi começou a passar a coreografia para nós. O que parecia impossível acabou se tornando muito divertido! Primeiro passamos a coreografia pausadamente, parte por parte para pegarmos os passos, depois a executamos em grupos e por último, mas não menos importante, nós dançamos a coreografia sozinhos, como um solo mesmo. E apesar de eu não saber girar uma pirueta na ponta e ter esquecidos os passos em alguns momentos, eu deixei a música me levar e fiz, sem me importar se estava errando ou não. 
E o mais legal de tudo é que ninguém foi perfeito! Pode parecer maluco falar isso, mas essa foi a graça da coisa. Cada um que estava ali tinha um grau diferente de aprendizado, desde iniciantes na ponta até os mais avançados, e cada um dançou a coreografia no seu ritmo, de acordo com o que sabia e podia fazer.
Como já falei aí em cima, foi muito gratificante, e mesmo com todos os erros, eu aprendi meu primeiro solo de repertório!

3 comentários:

  1. Isso ai Ju! adorei seu texto.É isso mesmo.O importante é ter amor e vontade pela dança,mesmo com os erros e dificuldades. :)

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  2. Isso mesmo...nao importa o grau de dificuldade. Acredito que a forca de vontade esta acima de todas as coisas. O fato de nao sabermos " ainda " fazer uma pirueta, ou qualquer outro tipo de movimento, por mais difícil que seja, nao nos torna menores diante das outras. Como você disse - cada um tem seu tempo - e todas irão ou já passaram pelas mesmas dificuldades...o que nos torna diferente e pela persistência e coragem, acredito eu que esta e a essência para se tornar uma bailarina! E parabéns para todas nos Ju... Pela coragem em enfrentar as pontas e pela persistência de nao desistir no meio do caminho!!!

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  3. já tive a chance de assistir o filme/documentário da madame Margot, e realmente tem tudo haver, pois no filme/documentário mostra a trajetória dela os erros os medo, como por exemplos ela passou mais de 2 anos sem dançar o lago do cisne porque ela tinha "medo" de fazer piruettas e imagina as 32, mas com a ajuda, principalmente, de Nureyev ela conseguiu, e assim é funciona as vezes nós temos que parar de pensar tanto em "eu não consigo", e nos dar mas oportunidades, podemos até nos surpreendemos as vezes...
    bjs e até

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